quinta-feira, 8 de março de 2012

O Essencial é Invisível aos Olhos

Muitas vezes, até as palavras de Saint-Exupéry se tornam invisíveis e passam esquecidas quando mais precisamos recordá-las. São rotinas de trabalho super carregadas e regadas de pressão por todos os lados, relacionamentos conjugais que se deixam dominar pela falta de paciência e respeito e famílias cujo lar se assemelha a um campo de concentração, em que membros se tornam carrascos torturadores ávidos para aliviar as tensões.

Mas, quando as dores ocasionadas pelo mundo abarcam nossos pensamentos, e os ares sombrios da desesperança e da angústia nos sufocam, deixamos de perceber que o positivo também se apresenta, seja no mundo, seja em nós mesmos. Em outro momento, falei a uma paciente em psicoterapia: "Quem sofre de unha encravada não consegue pensar em nada mais além da dor que ela causa". No sentido de que, na fisiologia, na maioria das vezes, a dor que nos é imposta toma todos os nossos pensamentos e sensações, não nos permitindo considerar que também temos tantas outras partes sãs em nosso corpo. Em outras palavras, nosso campo perceptivo da realidade se comprime no sombrio, e a angústia existencial nos consome a alma na medida em que vemos minutos parecerem anos.

Há quem constantemente se indague "Por que isso acontece comigo?" ou "Por que justo agora?". Na verdade, as perguntas não nos cabem, mas sim as respostas às perguntas que o mundo nos apresenta. Nem todas as situações dependem unicamente de nós, pois nossas vidas interagem com o mundo em uma constante teia sócionatural. Nem mesmo os mais isolados eremitas estão alheios à ação do mundo e de sua natureza. Por isso, inútil é perguntar por que isso ou aquilo aconteceu. Mas a postura que adotamos frente aos problemas, essa sim, fará toda a diferença no enfrentamento de qualquer um deles!

Portanto, Saint-Exupéry tinha razão em sua célebre frase, a qual podemos interpretar em torno dos valores subjetivos da vida, na auto-transcendência, na escolha de como nos portar diante dos mais diversos inputs do mundo exterior. Escolhas estas que, geralmente, não são as mais palpáveis ou mais próximas à nossa racionalidade.

Pablo Aquino.
Psicólogo Logoterapeuta Clínico e Organizacional
08 de Março de 2012.